Posto aqui um texto de Pablo Neruda, escrito que sintétiza em belas, precisas e afiadas palavras o que uma pessoa em sã consciência humana e intelectual refletiria sobre "Bandeiras, Hinos, Quartéis, Guerra, etc.". Neste exato segundo me vem na cabeça aquela música do Geraldo Vandré, bem mas por enquanto ficamos com o Pablito.
21 de MAIO - NERUDA
... E outra vez tambores e outra vez bandeiras... Por sorte, isto ainda o fazem por obrigação, pois as pessoas já se vão esquecendo daquele sacrifício torpe e estéril daquela guerra odiosa e cruel. Porque, se alguém ganhou, o que foi que ganhou?
Umas terras marcadas pela fome, porque a exploração e a riqueza as haviam marcado antes. E o sangue dos de amanhã. Porque, amigo desconhecido, os mesmos atores, atrás das mesmas máscaras, cuidarão de arrear-te amanhã, nas mesmas iníquas odisséias, pelos interesses, pelas suas paixões e para teu mal. Por isso, amigo desconhecido, aprende a integrar diariamente a tua cotidiana rebeldia; afirma atua negativa interior ante as mentiras forradas de músicas e bandeiras, ante este ídolo da Pátria Guerreia, Moloc que, depois, te quebrará os ossos, porque não soubesse desde cedo olhá-lo cara a cara. E olhá-lo de frente é medi-lo, diminuí-lo; e conhecê-lo, pequeno como é, sustentando unicamente pelo mais perecível dos pedestais, a Força; e não perdoar-lhe, com a aquiescência de hoje, a violenta brutalidade do futuro.
E para isso - bem pouco, amigo desconhecido - é bom que o saibas: não estás sozinho, muitos estão contigo. De muito longe, vêm, vem... vimos, em cavalgada heróica e sofredora, pisar a planície do Porvir, que é nossa e que pode ser tua.
Temer, o medalhista
Há 10 anos
Nenhum comentário:
Postar um comentário