quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Cuba On-Line

GERAÇÃO YYoani Sánchez, de 34 anos, é o símbolo de uma resistência cubana ainda muito pouco discutida, fora e, sobretudo, dentro de Cuba. Desde 2007, Sánchez, formada em letras, edita o blog "Generacion Y", um blog de repercussão mundial que conta a história de uma Cuba bem diferente: cultura, política e sociedade de um ponto de vista nem sempre tão fraterno ou glorioso. Segundo a blogueira, "Generación Y""é um Blog inspirado em pessoas como eu, com nomes que começam ou contem um ípsilon. Nascidos na Cuba dos anos 70 e 80, marcados pelas escolas rurais, bonequinhos russos, saidas ilegais e frustração. Assim é que convido especialmente Yanisleidi, Yusimí, Yuniesky e outros que carregam seus ípsilons para que me leiam e me escrevam."O trabalho, porém, nem sempre á fácil. Na verdade, nunca o é. Além de ter sérias limitações para acessar a internet, Sánchez ainda conta com episódios de censura. Crítica severa do governo cubano, a blogueira e outros dois colegas foram recentemente detidos por agentes de segurança. O ato ocorreu por um breve período durante uma passeata contra a violência, quando foram acusados de serem "contrarrevolucionários."Inovador, polêmico e muito bem escrito, "Generacion Y" é um blog excelente para quem deseja conhecer o cotidiano e a história cubana vista por alguém que nasceu no pós-revolução e que desconfia das políticas do regime de Fidel Castro. O blog de Sánchez já alcançou 4 milhões de acessos em um mês e ela foi recentemente eleita pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, embora em Cuba pouca gente sabe que a blogueira existe.E você, conhece o trabalho de Sánchez? Clique aqui para ler o "Generacion Y". O blog pode ser lido em diversas línguas, inclusive o português. Concorde, discorde ou fique na dúvida. O mais importante, como sempre, é falar e saber ouvir.Imagens: Yoani Sánchez e seu livro, publicado no Brasil pela editora Contexto.

FONTE: Café História

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Assembléia geral do Curso de História UNISC




Aí Galera!

Passando para avisar que nessa quinta-feira (10/09) será realizada a Assembléia Geral do Curso, junto à coordenação de História para que possamos conversar com os professores sobre as novas medidas adotadas pelo curso e pelos docentes.
Isso graças ao movimento por parte do corpo dicente de propor mudanças na estutura e melhorias para o curso de História.
Contamos com a presença de vocês!

Sala:625
Horário: 19:00 hrs

segunda-feira, 27 de julho de 2009

I Olimpíada Nacional de História do Brasil

Unicamp promove Olimpíada de História

No Brasil, são famosas as “Olimpíadas de Matemática”, competições nas quais os alunos de todo o país demonstram suas habilidades nas disciplinas. O sucesso do evento é tão grande que milhares de professores de História já devem ter se perguntado: por que não uma Olimpíada de História?

Pois, chegou a hora de deixar a pergunta de lado e experimentar a realidade. A partir deste ano, os alunos da rede pública de ensino e seus professores de história

A 1ª Olimpíada Nacional em História do Brasil tem início no dia 7 de setembro. A ação é uma iniciativa inédita de estudar e debater a história nacional, por meio da leitura e interpretação de documentos, imagens e textos.

Serão cinco fases online e uma fase final com premiação, disputadas por equipes compostas por até três estudantes e um professor de história. Somente alunos de oitavo e nono anos do ensino fundamental e do I, II e III ano do ensino médio poderão participar. As inscrições vão de 1º de agosto a 1º de setembro.

Para participar, as escolas públicas pagam R$ 15 por equipe, e as escolas particulares pagam o valor de R$ 35 por equipe.

A 1ª Olimpíada Nacional em História do Brasil é uma iniciativa do Museu Exploratório de Ciências, Unicamp, concebida e elaborada por historiadores e professores de história, voltada para o público das últimas séries de ensino Fundamental e do Ensino Médio.

Nela, os participantes terão a oportunidade de trabalhar com temas fundamentais da história nacional e de conhecer de perto as práticas e metodologias dos historiadores, ao lidarem com documentos históricos, textos, imagens e outros materiais. Assim, mais do que buscar conteúdos, o convite da instituição é para uma reflexão sobre como a história é construída por seus participantes.

Para mais informações, acesse o
manual do concurso, e boa sorte!


sexta-feira, 24 de julho de 2009

Registros da Idade Média na WEB

A Idade Média chegou à era tecnológica. Um site elaborado em conjunto pela University of Southampton e pela University of Reading passou a disponibilizar os registros históricos de soldados medievais que lutaram na Guerra dos Cem Anos, entre 1369 e 1453. Com ele, é possível pesquisar sobre a vida de 250.000 militares, desde os salários que recebiam até a quantidade de dias que faltaram por motivo de doença.

Thomas, Lord Despenser aparece como o mais novo soldado dos registros, tendo começado sua carreira aos 12 anos, em 1385. Segundo Adrian Bell, co-autor do estudo ao lado de Anne Curry, os dados sobreviveram ao tempo devido a uma "obsessão muito moderna" do tesouro britânico em querer se certificar que o dinheiro do governo estava sendo gasto como o previsto.

No site, podem ser encontrados gratuitamente o quão distante foi cada soldado, em que campanhas lutou, quais títulos ganhou e se teve ou não alguma mudança de posição. O projeto fui financiado pelo Conselho de Pesquisa em Artes e Humanidades.



Fonte Café História

quarta-feira, 15 de julho de 2009

História e Ética

História e Ética – ANPUH 2009

Fundada em 19 de outubro de 1961 na cidade de Marília, em São Paulo, a Associação Nacional de História é uma entidade científica organizada com o propósito de congregar professores, historiadores e pesquisadores de História.Na próxima sexta feira, mais um capítulo da instituição terá sido escrito, com o fim do XXV Simpósio Nacional de História, que está sendo realizado na bela Universidade Federa do Ceará, em Fortaleza.

Em 2009, o tema escolhido para o encontro foi "História e Ética". E para comemorar a escolha de um importante tema para aqueles que lidam com a escrita da história, Manoel Salgado, presidente da ANPUH, concedide entrevistas a jornais cearenses. Em uma das entrevistas, quando perguntado sobre os principais desafios éticos do pesquisador da História, Salgado, responde:

"Para nós, como profissionais da História, portanto, dedicados a pensar criticamente o passado e também o presente, a discussão tem um ponto de ancoragem: pensarmos o que é a ética no trabalho do historiador. Nosso compromisso ético não é somente como os cidadãos, já que atuamos em instituições públicas e privadas, mas também sobre a vida de outros que viveram antes de nós. Como falar deles, até onde posso ir? A relação com os arquivos também gera essa preocupação. Uma discussão muito presente no Brasil é sobre a documentação da época da ditadura. Há um leque de questões que atravessam a pesquisa. Por exemplo, o que se manter o sigilo? Deve-se abrir tudo? É um mar de questões que vai ser tratado ao longo dessa semana."

E você, o que acha? Não deixe de ler as entrevistas.

Retirado de Café História

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Posto aqui um texto de Pablo Neruda, escrito que sintétiza em belas, precisas e afiadas palavras o que uma pessoa em sã consciência humana e intelectual refletiria sobre "Bandeiras, Hinos, Quartéis, Guerra, etc.". Neste exato segundo me vem na cabeça aquela música do Geraldo Vandré, bem mas por enquanto ficamos com o Pablito.

21 de MAIO - NERUDA

... E outra vez tambores e outra vez bandeiras... Por sorte, isto ainda o fazem por obrigação, pois as pessoas já se vão esquecendo daquele sacrifício torpe e estéril daquela guerra odiosa e cruel. Porque, se alguém ganhou, o que foi que ganhou?

Umas terras marcadas pela fome, porque a exploração e a riqueza as haviam marcado antes. E o sangue dos de amanhã. Porque, amigo desconhecido, os mesmos atores, atrás das mesmas máscaras, cuidarão de arrear-te amanhã, nas mesmas iníquas odisséias, pelos interesses, pelas suas paixões e para teu mal. Por isso, amigo desconhecido, aprende a integrar diariamente a tua cotidiana rebeldia; afirma atua negativa interior ante as mentiras forradas de músicas e bandeiras, ante este ídolo da Pátria Guerreia, Moloc que, depois, te quebrará os ossos, porque não soubesse desde cedo olhá-lo cara a cara. E olhá-lo de frente é medi-lo, diminuí-lo; e conhecê-lo, pequeno como é, sustentando unicamente pelo mais perecível dos pedestais, a Força; e não perdoar-lhe, com a aquiescência de hoje, a violenta brutalidade do futuro.

E para isso - bem pouco, amigo desconhecido - é bom que o saibas: não estás sozinho, muitos estão contigo. De muito longe, vêm, vem... vimos, em cavalgada heróica e sofredora, pisar a planície do Porvir, que é nossa e que pode ser tua.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

10 Motivos para ser um Historiador






1 – A Faculdade

Não é por mera curiosidade ou distração que quarenta e cinco pessoas ingressam anualmente no curso de História da UFPa. “Vencer na vida”, “entrar para o mercado”, “conquistar espaços” também nem lhes passa pela cabeça. Quase sempre terminam o curso na corda bamba entre a academia e a sala de aula. Nunca sabem exatamente se estão estudando o presente ou o passado. A maioria relata já ter ouvido vozes. A maioria confessa que entre estudar muitas horas seguidas e não estudar nada dá no mesmo. Alguns não conseguem manusear um lápis 2B. De cada dez alunos, pelo menos um já admite ter reprovado em testes psicotécnicos. De cada cinco alunos, três, quando fecham o olho, enxergam a famosa insígnia de Che Guevara. As monografias são individuais. E perigosas, pois fazem chama verde.

2 – O Papel Social

O Historiador passa sua formação inteira se convencendo de que ele TEM que fazer alguma coisa pela humanidade. Daí são horas ao se imaginar conduzindo multidões rumo à luta de classes. Alguns são mais resumidos e apenas trocam o sapato de couro pelo sintético. Como se já não fosse suficiente, o Historiador deseja pagar as faturas do carnê bancário. Então, ele TEM mesmo é que trabalhar.

3 – O Trabalho (1)

Os professores de História se contentam em serem os mais amados para a galerinha do cursinho. Os professores de História podem ser os mais boçais para a galerinha do cursinho. Os professores de História não gostam dos livros de História, os didáticos. E por não gostarem dos livros didáticos, elaboram apostilas. Os alunos de História não gostam das apostilas e preferem os livros de História, os didáticos. Os professores de História não são didáticos.Os professores de História odeiam água natural, ventilador e máquina de xerox. Os professores de História adoram café, ar-condicionado e estagiárias. Os professores de História odeiam professores de História. E odeiam mais os pesquisadores. Os professores de História são pesquisadores e não fazem mais do que a própria obrigação.

4 – O Trabalho (2)

Os acadêmicos em História são como andorinhas de verão voando em V, congruentes.

5 – O Calabouço Teórico

Um dia ele vai te pegar, Historiador! Com o Boom de livros, minisséries e filmes com temas históricos, o Historiador se vê às voltas com perguntas célebres como “Elvis morreu?”, “Hitler era gay?”, “Quem era esse tal de Galvez?” ou nem tão célebres como “Quando Heliogálabo nasceu?”. Um alerta curioso aos curiosos: o Historiador é um ser confuso e qualquer informação por ele gerada poderá ser refutada. Caso ninguém faça imediatamente, ele mesmo fará, quando passar a ressaca.

6 – História é Literatura (e vice-versa)

Eu poderia citar um zilhão de exemplos. O que mais me apetece é o fato de que onde se encerra o estruturalismo de Foucault é, então, o começo do anedotário de Kurt Vonnegut.

O segredo da loucura, em um parágrafo:“A insanidade incipiente de Dwayne* era, claro, principalmente uma questão de elementos químicos. O Corpo de Dwayne Hoover estava produzindo certos elementos químicos que desequibravam sua mente. Mas Dwayne, como todos os lunáticos novatos, também precisavam de algumas idéias ruins para que sua loucura pudesse ter forma e direção” (Vonnegut, Breakfast Of Champions, 1973)

7 – História das Religiões

A Enciclopédia Britânica lançou, em 1974, uma edição de luxo da Bíblia Sagrada. Logo na folha de rosto, os diretores esclarecem: todo o material reproduzido ali está sob o Copyright BARSA, à exceção dos Salmos para o qual foi usada uma versão portuguesa do R. Pe. Leonel Franca por permissão especial do Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, central a quem pertencem todos os direitos. Também constam imagens. Muitas. Todas de Copyright da Catholic Press. BARSA, Provincial da Companhia de Jesus e Catholic Press. Todo mundo revestido de Copyright para textos de propriedade intelectual do Espírito Santo. Que já teve muita briga por conta disso eu sei. Tanto é que essas Bíblias foram sacrificadas por pragas vindas do céu, como a umidade e as traças, que no caso do meu exemplar, já comeram todo o Pentateuco.

8 – O Reconhecimento

E. P Thompson já tinha escrito a Formação da Classe Operária Inglesa na década de 60 quando os olhos do mundo se voltaram para a iminência de uma guerra nuclear. Ao militar contra a Era Reagan e ao mesmo tempo romper com o marxismo ortodoxo, Thompson deu nó em trilho. Brincalhão, ele saiu fora do Partido Comunista Inglês e fundou um grupo de discussões que resultou na comunidade Historiador não entende piada. Ouvi dizer que para fugir do assédio se mudou da casa número 20 para a 22. Também que seu temperamento está exposto no Museu de Arte Contemporânea de Londres.

9 – O Prestígio

Tem historiador que é celebridade. Não há mal nenhum nisso.Em fulgurante palestra, realizada em 2004, o auditório do Colégio Rego Barros ficou realmente apinhado para ver a napoleônica interpretação de O Vermelho e o Negro de Sthendal. Todos queriam ver de perto o palestrante, autor de O Queijo e os Vermes. Carlo Ginsburg usava uma pronúncia familiar a poucos. Não era de bom alvitre piscar ou olhar para os lados. E quando foi possível entender algumas das suas frases, aí sim, todos se olhavam, lívidos, como se tivesse saído um gol.

10 – A Aposentadoria

O Historiador apresenta um, digamos, metabolismo mal acabado desde a mais tenra idade. Mas é no crepúsculo da profissão que conquista o direito e o dever para com as sessões noturnas, diabólicas por excelência, regadas a monografias criptografadas, analgésicos com café preto e cigarro.